Universidade Federal do Para
 
SEXTA-FEIRA, 17 DE NOVEMBRO DE 2017
 

Editorial

A Revista Artifícios traz ao público o seu novo número com foco na temática Diferença e Formação de Professores. Nesta edição estão presentes variadas perspectivas, olhares e interpretações em torno das inquietações que o Outro provoca do ponto de vista histórico, filosófico, ético, político, estético, no cotidiano de nossas práticas sociais e culturais, descortinando um horizonte articulador da diferença. A diferença, em sua irrupção de forças e manifestações, desafia o pensar e o agir consoantes a um discurso oposicional aos modelos identitários historicamente instituídos, invitando à subversão da lógica das estruturas binárias que insistentemente empurram o Outro às margens da abjeção e da indignidade de existir em sua singularidade e alteridade. Em seus desdobramentos ao campo educacional, a temática da diferença, embora intensamente reverberada por variados debates, perspectivas teóricas, práticas pedagógicas, continua a desafiar a formação [de professores] provocando fissuras nos mecanismos de poder-saber ativamente envolvidos no processo de sua produção.

Abrindo o Dossiê da revista, o texto de Alexandre António Timbane O ensino da língua portuguesa em Moçambique e a problemática da formação de professores primários, discute a questão do multilinguismo e da metodologia de ensino do português utilizada por professores primários de escolas moçambicanas, em um contexto multilíngue complexo configurado pela presença de línguas bantu e do português, e seus múltiplos desafios à formação dos professores.

Ghislaine Dias da Costa Bastos em Docência e reinvenção da experiência de si no espaço/tempo da escolarização de hansenianos, problematiza a experiência de escolarização na antiga colônia de hansenianos de Marituba no estado do Pará no século XX. Por meio da tríade pode-saber-sujeito analisa memórias de escolarização de ex-hansenianos, alunos e professores, a partir das contribuições do filósofo francês Michel Foucault, colocando em fundamento uma potência transgressora de reinvenção da experiência de si.

O texto de Beatriz Giugliani O estigma da raça: etnografia, educação e raça traz um estudo etnográfico que investiga os significados da cultura negra no contexto escolar, dando visibilidade às questões de raça, racismo e preconceito a partir de narrativas elaboradas na interlocução com os estudantes.

Gilcilene Dias da Costa e José Valdinei Albuquerque Miranda em Conhecimento, cultura e formação: aproximações ao pensamento de Nietzsche e Lyotard discutem o paradigma da produção do conhecimento científico no ensino superior em diálogo com Nietzsche e Lyotard. No cerne das discussões sobressai a crítica ao cientificismo e à massificação do conhecimento e suas implicações para as instituições de ensino superior no tocante ao conhecimento, cultura e formação [de professores].

Compondo a seção de artigos, Bianka Pires André analisa O efeito da emoção na aprendizagem a partir de experiências de discriminação de alunos do ensino médio, um estudo sobre a ascendência negra em escolas de Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense do Rio de Janeiro. O texto fomenta a necessidade de se pensar uma inclusão social efetiva que promova o reconhecimento das diferenças com base na diversidade social e cultural brasileira.

Flávia Cristina Silveira Lemos, Franco Farias Cruz e Giane Souza apresentam o texto Tecendo a trama histórica de análise dos documentos com Michel Foucault, Gilles Deleuze e Felix Guattari, no qual traçam uma breve descrição teórica e metodológica a respeito do trabalho arqueológico e genealógico com a escrita histórica e com a análise de documentos como crítica do presente. O texto traz à tona uma preocupação com a produção da diferença e a abertura de novas possibilidades de vida, em uma história útil à vida e que opera a problematização das práticas sociais instituídas.

Maria dos Remédios de Brito e Manoel Neto descortinam uma trama virtual em Escrituras deslocadas: entre e-mails e fotografias. O texto tece escrituras e deslocamentos marginais, um encontro de afecções por meio dos agenciamentos fotografia e e-mails. Enseja corpos buscando linhas de sensibilidade, de fortalecimento do pensamento, em meio ao tempo de fluidez do capital, da tecnologia, das relações e do esvaziamento ético em uma sociedade marcada pelo consumo e pelo espetáculo; um convite para o gesto de uma política menor.

Na seção Experiências de Escritura, Abílio Pacheco traz a trama Em despropósito – capítulo 15, cotejando notas de terapia em torno da difícil arte de escrever. Em Alucinada aula, Gerlândia de Castro Silva traça itinerários de um corpo que pensa poder transitar com sua diferença, sem ser notado, nos labirintos que levam a uma sala de aula, espreitando pensamentos de rebeldia e controle.

Gilcilene Dias da Costa fecha este número entrevistando o professor Cezar Luís Seibt. Um diálogo que trata de questões filosóficas e educacionais tendo por tema Hermenêutica, educação e o problema da compreensão do ser humano.

Boa leitura.

Belém, junho de 2014.

Gilcilene Dias da Costa

Joyce Otânia Seixas Ribeiro

 




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